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São Francisco de Assis: uma relação amorosa e fraterna com todas as criaturas

há 2 minutos
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Relação de domínio e de utilidade com as criaturas


O modo como nos relacionarmos com as criaturas é condicionado pela cultura tecnocrática, aliada à economia neoliberal. Seus defensores concebem o ser humano como senhor absoluto das criaturas, isto é, proprietário legítimos delas. Desse modo, sentem-se no direito de dominá-las, explorá-las, usá-las e consumi-las visando sempre a maximização do lucro. Para eles as criaturas são vistas apenas como recursos a serem explorados, objetos de domínio e controle, mercadorias e ativos financeiros. Eles não consideram os limites ecológicos das criaturas, muitas das quais estão em processo de extinção.


Relação amorosa com os animais e as plantas de estimação


As pessoas expressam seu afeto pelos animais estimação quando os acariciam, brincam com eles, cuidam carinhosamente de suas necessidades e conversam com eles. Também chamam a sua atenção quando aprontam e os educam. Por sua vez, os animais retribuem aos cuidados de seus tutores com afeto, com olhares de gratidão e alegria. As pessoas também se relacionam com as plantas de estimação, dedicando-lhes o cuidado e carinho que elas merecem.


Relação amorosa-fraternal de São Francisco com todas criaturas


São Francisco considera as criaturas suas irmãs e reflexos da bondade, da sabedoria e da beleza do Criador. Por isso, relacionava-se com elas de maneira amorosa e fraterna, cuidando de sua conservação e preservação. É surpreendente a reciprocidade desse amor mútuo entre São Francisco e as criaturas. Ele expressava seu amor por elas com gestos carinhosos, e elas se mostravam gratas pelo seu cuidado e o obedeciam quando convidadas a louvar o Criador.


Tomás de Celano descreve a doçura que São Francisco devotava às criaturas: “Como contar o afeto que tinha para com todas as coisas de Deus? Quem seria capaz de mostrar a doçura que sentia quando contemplava nas criaturas a sabedoria, o poder e a bondade do Criador? Ao ver o sol, a lua, as estrelas e o firmamento, enchia-se muitas vezes de alegria admirável e inaudita” (1 Cel 80). Até as “criaturas irracionais percebiam o afeto e pressentiam o dulcíssimo amor que ele sentia por elas” (1 Cel 59).


Inspirados em São Francisco, amar, sem distinção, todas as criaturas


É possível seguir o exemplo de São Francisco expressando afeto fraternal, cuidado e respeito por todas as criaturas. Não apenas por aquelas com as quais simpatizamos, mas por absolutamente todas, conservando-as e preservando-as em vista do futuro do planeta Terra e das gerações vindouras. Ao mesmo tempo, é necessário renunciar a qualquer relação de domínio, de mero consumo e de exploração sobre as nossas irmãs, as criaturas, fazendo o firme propósito de levar uma vida sóbria e solidária com os seres mais vulneráveis.


Podemos também convidá-las a louvar o seu Criador, a exemplo de São Francisco, alegrando-nos com sua presença. Certamente, elas expressarão gratidão pelo cuidado recebido com largos “sorrisos” de gratidão, por contribuirmos para garantia de sua sobrevivência.



Frei Flávio Guerra, OFM

 
 
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