São Francisco e o cuidado com a criação
Vivemos um tempo em que os sinais de desgaste da nossa Casa Comum são cada vez mais evidentes. O uso excessivo da água, a degradação do solo, o desmatamento e a perda da biodiversidade revelam uma relação com a Casa Comum marcada pelo excesso de exploração e de consumo. Diante desse cenário, o testemunho de São Francisco nos ajuda a recuperar uma relação mais fraterna e responsável com a criação.
São Francisco se relacionava com as criaturas como suas irmãs, pois elas têm origem no mesmo Criador. Por isso, cuidava e defendia as árvores, os animais, a água e a terra. Orientava que uma árvore cortada pudesse voltar a brotar; desejava que nas hortas houvesse espaço também para flores e ervas; tinha compaixão pelos animais e os protegia quando estavam ameaçados. Seu modo de viver apontava para uma justa medida entre aquilo de que necessitamos e aquilo que a criação é capaz de oferecer.
Hoje, diante das mudanças climáticas, da perda de espécies e do esgotamento dos recursos naturais, o testemunho de São Francisco adquire urgência. Quando o consumo, o lucro e os interesses individuais orientam as escolhas humanas, a criação e as pessoas mais vulneráveis correm o risco de serem tratadas como objetos, recursos disponíveis ou descartáveis.
Inspirados em São Francisco, somos chamados a transformar nossos hábitos: economizar água, reduzir o desperdício, reutilizar materiais, cuidar das árvores e preservar a biodiversidade. Essas atitudes formam uma nova consciência e uma relação mais fraterna com toda a criação.
As comunidades, governos, empresas e instituições precisam assumir compromissos concretos: proteger rios e nascentes, combater o desmatamento, preservar ecossistemas, promover uma agricultura sustentável e fortalecer políticas públicas que garantam os recursos naturais às futuras gerações.
A espiritualidade franciscana nos recorda que cuidar da criação é cuidar da vida. Isso significa conservar e preservar a terra com tudo o que ela contém, olhar as criaturas como parte da família de Deus da qual fazemos parte e construir uma relação mais justa, fraterna e responsável com a criação que recebemos. Significa também praticar a solidariedade com as famílias pobres que sofrem com a degradação ambiental e com os eventos climáticos extremos.
Frei Flávio Guerra, OFM


