• Franciscanos do RS

MENSAGEM DO MINISTRO PROVINCIAL

Paz e Bem!

À luz da Páscoa, da presença do Senhor ressuscitado no meio de nós, e em face da pandemia do coronavírus – Covid-19 que estamos vivenciando, escrevo esta carta na intenção de que nos possa ajudar a viver o momento atual de excepcionalidade e de anormalidade. A Carta é reflexão sobre o momento atual. Não visa apresentar receitas sobre o que fazer. Mas, quer ajudar a manter-nos animados e entusiasmados na nossa vida, vocação e missão. Diria, também, a provocar a olhar a nossa vida, vocação e missão a partir da realidade ímpar que vivemos e aprender dela o que nos está a pedir agora e a exigir para o amanhã.

O Evangelho dos Discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35) ilumina o nosso momento. Já nos encontramos recolhidos em nossas casas e fraternidades. Reconhecemos as incertezas, angústias, frustrações que há em nossa mente e em nosso coração. Acolhamos o Peregrino que caminha conosco, O reconheçamos ao partir o pão, aqueçamos os nossos corações com a Palavra de Deus e, assim, mantenhamos o entusiasmo da missão.

Todos nós buscamos nos informar e acompanhar o desenvolvimento da pandemia da Covid-19. Ninguém sabe e pode dizer com exatidão como ela irá desenrolar-se. Além do que é da nossa responsabilidade, cabe, com os pés no chão, acreditar que venha suceder dentro dos cenários mais otimistas que os especialistas em diversas áreas, em conjunto, estão projetando. Sabemos, em todos os casos, que a situação que o país enfrentará será muito difícil, duração incerta e instabilidade social e econômica grandes. Frente à angústia, as incertezas e os sinais de desesperança, é preciso manter, em primeiro lugar e sempre, a esperança, o otimismo, a fraternidade, a convivência cordial e próxima, o cuidado conosco e com o outro e a solidariedade para com todos.

Vemos o país dividido no enfrentamento da pandemia. O que se deve, em grande parte, ao fato do governo federal estar divido no enfrentamento da mesma. Explora o desejo e a vontade das pessoas em querer trabalhar, exercer suas atividades, e diga-se necessárias, para garantir o seu sustento. Diz que quer e que é necessária a quarentena, diz que a vida está em primeiro lugar, mas, faz todo esforço em flexibilizar as exigências para enfrentamento adequado da pandemia. Não oferece o socorro, a ajuda necessária, um plano de emergência abrangente, consistente e pleno para garantir as pessoas em quarentena e nela em tranquilidade. Ao invés de união, coesão e diálogo para enfrentamento nacional e unitário e busca de superação da pandemia, e mesmo da pós-pandemia, definida pelo Papa Francisco como “de pós-guerra”, como o momento requer e exige, instaura-se a divisão, a dúvida, o erro, o desespero, e cresce a desorientação.

Nós, em primeiro lugar e acima de tudo, afirmamos o valor fundamental da vida humana. Dom e compromisso como nos recordou a Campanha da Fraternidade/2020: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”. A economia está a serviço e em função da subsistência e manutenção da vida hoje e amanhã, na Casa Comum e na interdependência com todas as formas de vida existentes. E como ficou evidente que partilhamos realidade comum a todos! Partilhamos a situação de angústia, de incerteza e de preocupação das pessoas em relação à sua subsistência, à sua sobrevivência econômica, social e familiar. E o que é de fundamental importância! Assim, a atitude básica e fundamental, seguindo as orientações de saúde sanitária, é do cuidado da vida, cuidado da nossa vida, da vida do outro, da vida das fraternidades, das comunidades, observando o recolhimento e o distanciamento social até que seja possível voltar-se à ‘normalidade’.

Mas, não há como supor-se, na situação ímpar e singular que vivemos, que seja possível, conveniente, menos prejudicial, ou seja, que o remédio ou tratamento seja mais danoso que a doença, enquanto as condições e possibilidade de atendimento de saúde não sejam possíveis e estejam garantidas para toda a sociedade. Enquanto não for possível prever-se e garantir-se o cuidado da vida e da saúde, não é possível relacionar-se de maneira tranquila e normal, não é possível trabalhar-se e desenvolver as atividades sociais, assistenciais, educacionais, religiosas de forma ‘saudável’ ou que não se venha a colocar em risco a própria vida ou a do próximo. Que situação! Quem quer ou pode assumir o risco ou a responsabilidade de colocar em risco a própria vida, e não só a própria vida como a vida do outro? Cuidemos da nossa vida, da vida do outro, da vida da fraternidade, da vida da comunidade, que é uma atitude ativa e proativa em favor da vida neste momento, de forma que, sem paranoia, venhamos a precisar de cuidados nós mesmos e ou de forma que venhamos a impossibilitar que outros possam conseguir cuidado ou atendimento necessários, vindo a precisá-los. Sociedades que decidiram enfrentar situações semelhantes, no passado, saíram-se melhores, e principalmente na reconstrução. Creio que essas mesmas preocupações e orientações estejam presentes nas paróquias e comunidades.

A pandemia, como o Evangelho em qualquer tempo e lugar, provoca conversão de mentalidade, na maneira de pensar e de agir. O Papa Francisco já convidara para controlar a ânsia de ganhar e de fazer. Pedir o “dom das lágrimas”. Nós somos “Fraternidade contemplativa em missão”. Assimilar e interiorizar o momento presente para responder não de modo habitual e costumeiro de ontem à realidade que é outra, inédita, imprevista. Mas, que pode prolongar-se, na incerteza, por tempo razoável! Não creio que saiamos da crise iguais como nela entramos. Nem sei se será possível, pois, nem sei se o mundo continuará sendo igual ao que era antes, ou se poderá continuar sendo o mesmo que era. Mesmo a situação de crise em que o mundo já se encontrava ou a direção em que estava caminhando já pedia mudança de rumo, de valores e de mudanças na economia (cf. Papa Francisco).

Nós, como a Ordem, a CFMB, a CRB e outros, revisamos toda a programação no primeiro semestre. O retiro provincial veremos mais proximamente. Mantemos os encontros, as atividades, os estudos, nas Fraternidades. A vida de oração, de estudo, de trabalho e de encontro ficarão restritos ao da Fraternidade local. Formas criativas de comunicação e de contatos estão sendo feitos para manter-se a evangelização, a veiculação das celebrações, as assistencias religiosas, as ajudas e apoios emocionais, espirituais e psicológicos. Podemos aprofundar a Prioridade/2020 “Fraternidade e Justiça, paz e integridade da criação” a partir do que nos exige e pede a realidade hoje e de diferente e novo amanhã. Isolamento e distanciamento social não é incomunicação, no mundo digital e virtual, e, portanto, nem de inação e de paralisia. Apreendamos a nós mesmos e o mundo de novo! E como vemos e presenciamos muitas e diversas iniciativas sociais e comunitárias de ajuda e socorro social já estão sendo feitas e desenvolvidas. Os frades, portanto, a Província, está participando ativamente. Gozamos desta credibilidade e possibilitamos que muitos conosco se mostrem próximos e solidários de outros em situação de maior vulnerabilidade. Mostrar essa sensibilidade e solidariedade, nesta hora, é fundamental. Bem-vinda é a inciativa de organização de “grupo específico” para partilha da situação entre nós, no sentido de entre nós nos ajudar a vivenciar o momento e, de modo especial, ajudar as pessoas desde sua realidade local, começando por quem partilha dessa realidade familiar, social e comunitária.

Em relação à economia e à administração, mantemos as atividades essenciais e necessárias (saúde, inss, contas, alimentação, estudos, serviços, atenção aos funcionários). O cuidado e acompanhamento dos idosos exige e requer atenção especial. Os nossos freis idosos estão bem, e mantemos o nosso ritmo de vida e as atividades diárias. Fizemos renegociações de alugueis, uns ainda estão por ser feitos. Tivemos redução e atraso de entradas nos alugueis. Manteremos os compromissos já empenhados desde o ano passado. Os encaminhamentos da Cisão do ICSFA terão que ser feitos. O que envolverá custos. Não poderemos assumir novas questões que impliquem em criar novas despesas. Fraternidades terão redução nas suas receitas e também precisarão reorganizar-se. Estamos no limite de conseguir manter-nos sem já precisar recorrer as nossas reservas. Antes que a situação se normalize e consigamos ver como estará nossa economia, precisamos contentar-nos com o básico e essencial. No futuro, nos organizar e projetar a partir da nova realidade. Creio que semelhante preocupação a Igreja tenha. Creio que questionamentos sobre economia e administração as paróquias, as comunidades e os serviços e setores estejam se fazendo. E ainda, em relação ao ICSFA, tivemos já suspensão do convênio que envolve a educação integral. O projeto da Orquestra Villa Lobos está suspenso por tempo indeterminado.

A presente pandemia não afetará a nós, em nossas presenças, ao mesmo tempo e de mesmo modo, forma e intensidade. A presente situação, dentro de realidade de crise social, ética, ecológica, econômica e política que já se vinha vivendo, agravará em muito a realidade e seu impacto maléfico sobre a sociedade não será sentido e sofrido por todos da mesma maneira. A normalidade já era de crise e que agora se agravará. Os frades sempre mostraram muita sensibilidade e proximidade com a realidade social. O nosso modo de vida é simples e sóbrio. Não vejamos a presente crise como situação que é preciso só aguardar e esperar passar para voltar-se à ‘normalidade’. Para quem e para quantos isso será possível? Creio que devamos apreender a situação de “crise permanente e agravada” em profundidade, aprender as suas lições, estar abertos às possíveis alternativas, desde agora, e acrescentar ao tema da “Fraternidade em Redimensionamento” ao que a realidade nos provoca. A prioridade “Fraternidade e Justiça, paz e integridade da criação” poderá servir para começar bem. E nos situar como sinais e instrumentos do reinado de Deus.

Saudação cordial.

Porto Alegre, 20 de abril de 2020

Frei Marino Pedro Rhoden

Ministro Provincial

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