• Franciscanos do RS

MISTÉRIOS GOZOSOS - PARTE 2

ROSÁRIO COMENTADO - PARTE 3


1.2. O segundo mistério gozoso reflete sobre a visita de Nossa Senhora a Santa Isabel (Lc 1,39-56)


Esta visita também oferece mais facetas.


1.2.1 A saudação de Maria a Isabel

Ora, quando Isabel ouvia a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre, e Isabel ficou repleta do Espírito Santo” (v. 41).

A saudação de Maria a Isabel ecoou de tal jeito nos ouvidos de Isabel, que ambos, ela e João Batista, ficam cheios do Espírito Santo e se tornam profetas do novo reino de Deus. Diante da "Cheia de graça" (v. 28) eles percebem a maravilhosa mensagem de graça que a futura mãe do Cristo está para concretizar. Eles percebem neles tudo como se fosse aquela mesma mensagem divi­na transmitida por meio do anjo a Maria. A saudação de Maria é como que eco da saudação celeste por meio da qual tudo iniciou e continua se concretizando até hoje..

Isabel recebe o dom do Espírito Santo que a torna capaz de compreender e interpre­tar o significado profundo do novo que estava acontecendo . Isso ecoa o profeta Joel, texto esse que será retomado por Lucas em At 2,17-19, que assim reza: "Depois disto, derramarei o meu espírito sobre toda carne. Vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos anciãos terão sonhos, vossos jovens terão vi­sões. Mesmo sobre os escravos e sobre as escravas naqueles dias derramarei o meu espírito" (Jl 3,1-2).

1.2.2. "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é

o fruto do teu ventre (Lc 1,42)

Esta exclamação de Isabel recorda os tempos messiânicos. Isabel proclama que a "cheia de graça" também é "bendita és tu entre as mulheres". Maria é proclamada como bendita, como bem-aventurada entre todas as mulheres. Em certo sentido encontra-se aqui a primeira bem-aventu­rança do NT, pois desta, cuja bênção chega por meio de seu filho, dependem todas as demais. Maria, no entanto, não é sozinha "a bendita", mas seu filho também o é: "bendito é o fruto do teu ventre". O louvor expresso tem como consequência a concretização da promessa feita por Deus ao seu povo (vs. 31-34.35) e terá futuras consequências para a Mariologia . Isabel percebeu a grandeza das promessas messiânicas que se realizam em Maria e a proclama herdeira das bênçãos divinas e acrescenta: "Donde me vem que a mãe do meu Senhor me visite?" Na tradução grega do texto hebraico do Antigo Testamento, "Senhor" é a tradução de "Iahweh" (heb.: "Senhor"). Por isso, a casa de Isabel é, por um tempo, o novo Templo da nova Arca da Aliança onde repousará a presen­ça de Deus. Por três meses a nova Arca repousará na casa de Isabel assim como repousou por três meses, a antiga Arca, na casa de Obed, após Davi a ter introduzido em Jerusalém.

Apesar da identidade entre Jesus e Iahweh, a tradução para o grego com o título de "Senhor" indica algo mais. No mundo grego-romano o título de "Senhor" era dado a quem tinha um poder de superioridade ou de soberania sobre as forças do mal. Isso indicava uma condição de um poder salvador, ou seja, da condição de sua messianidade. Isso é aplicado também ao ressuscitado demonstrando a superioridade dele so­bre sua comunidade.

1.2.3. “Pois quando a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu ventre”.

Nesta frase se encontra a explicação do porquê Isabel chamou Maria de bendita. Isabel reconhece que existe algum motivo especial para a movimentação da criança em seu seio. O sussultar de João Batista no seio de Isabel é o início da atividade profética de João Batista, ou seja, a de precursor de Jesus. Isabel reconhece Maria como a mãe do Messias. O tempo é de alegria, mas uma alegria escatológica pela chegada dos tempos messiânicos que estão começando a se concretizar. Agora se está diante de uma segurança, não de uma segurança humana, mas divina. Em Maria se reconhece, ela vazia do orgulho humano, a aptidão de re­ceber a plenitude das promessas de Deus anunciadas por meio dos profetas..

Uma outra mensagem também pode ser tirada desta perícope. Isso está no fato de que duas mulheres, uma idosa e outra jovem virgem, diante do mistério que estava acontecendo com cada uma delas, elas não se fecharam, mas buscaram uma a outra para poderem conversar sobre o que estava acontecendo com cada uma delas. Para Deus a idade não importa. Elas nos ensinam que, diante do isolamento que tantas vezes os seres humanos se encontram, ou seja, fechados sobre si mesmos, a buscar ajuda e abrir seu coração para alguém. Esse alguém pode ser alguém que possa nos ouvir e apontar possíveis caminhos para podemos reorientar a nossa caminhada.


Dr. Frei Romano Dellazari, ofm

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