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Rio Grande: Santa Missa em Ação de Graças pelos 42 anos da presença franciscana

  • 9 de mar.
  • 4 min de leitura

Atualizado: há 4 horas

Na noite de sábado, 7 de março, de 2026, foi celebrada a Santa Missa em Ação de Graças pelos 42 anos da presença franciscana, coordenando a Rede de Comunidades São Lucas. A celebração foi realizada na Capela São José, pertencente à Rede São Lucas, e presidida pelo Ministro Provincial Frei Olávio José Dotto. A missa contou também com a participação de alguns freis franciscanos, do bispo emérito da Diocese, Dom José Mário Stroeher, e do ecônomo diocesano, Pe. Péterson Figueiredo, reunindo a comunidade em um momento de fé, gratidão e memória pela caminhada realizada ao longo desses anos.

Durante esse período, diversos freis passaram pela missão franciscana em Rio Grande, evangelizando e acolhendo cada pessoa com seu carisma e seu jeito de ser, deixando marcados nos corações, ensinamentos e conselhos. A Diocese de Rio Grande, em especial, também agradece a presença de todos os freis que, ao longo desse tempo, estiveram em Rio Grande. Que Deus continue abençoando a missão franciscana.

 

Jenniffer Gonçalves


 

Breve histórico da presença dos Frades da Província São Francisco de Assis no Brasil na Diocese e cidade de Rio Grande, em Rio Grande, RS.


A Província Franciscana de São Francisco de Assis entrou na Diocese de Rio Grande a pedido de seu primeiro Bispo, Dom Frederico Didonet em 1983. Começou efetivamente em 17 de fevereiro de 1984, com frei Arno Reckziegel, que assumiu o trabalho pastoral especialmente entre os mais pobres. Iniciou morando com o bispo por 4 meses, ajudando na Catedral e preparando o terreno para a nova missão. Como área mais apropriada para o trabalho dos frades, tanto pelas necessidades da Diocese, como pela proposta da Provincia, foi escolhida a Vila São João, dentro da Paroquia São Jorge, do bairro Junção, onde celebrou-se a primeira missa no dia 26 de fevereiro, se entrosando com os moradores da vila logo cedo.

Em 29 de maio de 1984, antes de efetivamente começar as atividades naquela vastidão, realizaram uma reunião com autoridades religiosas e alguns poucos moradores, a fim de conversar sobre a possibilidade de trabalho, moradia e manutenção de um padre naquela área, tendo como resultado, que a comunidade assumiria o compromisso de se organizar para que o padre pudesse viver lá e em caso de necessidade a Diocese se comprometeu em suprir o que faltasse. Em 20 de junho, Frei Arno transferiu-se para a Vila São João, indo morar numa casa simples, pobre, de chão batido, cedido por um casal de moradores dali, onde ficou por quase 2 anos, até passar para uma casa mais ampla, com melhores condições para alojar mais frades, na Rua Roberto Soccowisk. A residência era boa, mas foi assaltada algumas vezes, então, deixaram a casa e passaram a morar num quarto com 2 camas e tinham as refeições cedidas por dona Edda. Depois, foram morar na Sacristia da Capela da São João, onde ficaram por mais uns 2 anos, ocasião em que passaram a procurar uma moradia ideal nas proximidades, comprada em 1994, quando, por fim, se fixaram na casa amarela, onde é até hoje a residência dos freis.

Estando inseridos e atuando na periferia, tinham um mundo de belos planos, conflitos, soluções, questionamentos, decepções, vitórias, ..., “uma mistura danada.” A primeira constatação que os freis tiveram do povo daqui, foi de que eram tudo gente boa, pobre e profundamente religiosa, mas a Igreja Católica não os interessava, nem os atraia. Não existia a tradição de pertencer, participar da comunidade. Tinham o cuidado para não espantar os poucos que tinham ligação com a igreja, dando inclusive, dedicação especial a estes, fazendo visitas e amizades. Começaram a surgir alguns grupos nas vilas onde não havia nada organizado. As tentativas de evangelização eram as mais variadas, incentivando tudo o que chegava. Estavam com os grupos de mães, famílias, associações de bairro, saúde comunitária, pastoral da criança, pastoral operária, paz e justiça, ..., dentre outros, onde as pessoas se encontravam para fazer algo em conjunto com o interesse de melhorar as suas situações, e os freis, queriam pegar junto.

Estavam descobrindo formas de caminhar com o pessoal, desbravando o terreno missionário para que outros continuassem; e mesmo com a chegada de novos freis, sempre mantinham atenção ao setor vocacional. Atuaram também na Santa Casa, onde celebravam missas e levavam os sacramentos aos doentes. A esta altura, éramos 12 comunidades da Zona Oeste: São João, São José, Santo Antônio, Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora de Fatima, Nossa Senhora da Conceição, São Francisco, Santa Rita, São Carlos, Sagrado Coração de Jesus, Nossa Senhora Aparecida e São Miguel. Em 10 de dezembro de 2006, através de Assembleia Geral, foi escolhido o Santo Padroeiro da Rede, passando desde então a chamar-se Rede de Comunidades São Lucas e se desligando da Paroquia São Jorge. Atuaram por aqui, 36 freis, cada qual, deixando uma marca na nossa história, sendo eles:

Arno Reckziegel; José Caffarate; Miguel Becker; Lírio José Hartmann; Mário Schuh; Clemente Borelli; Roque Schneider; Agostinho Grings; Marino Rhoden; Jair Lemes; Clair Cibriski; Gilberto de Freitas; Gustavo Waschburger; Volmir Senger; Antônio Mariani; João Renato Puhl; Evaldo Melz; Ilário Battisti; Rinaldo Eberle; Pedro Geremaro Melz; João Osmar D'Ávila; Benício Warken; Dante Bardier; Carlos Faccio; Milton Backes; Luiz Méndez Gutièrrez; Rodrigo Cichowicz; Arno Heck; Luís Carlos Barbieri; José Müller; Paulo Maia; Jorge Huppes; José Frey; Marco Antônio Warken; Luís Fernando Tavares; e Cláudio André Lottermann. A despedida hoje é emocionante, este é um momento especial. De modo geral, a passagem dos freis franciscanos em nossa Rede foi um presente de Deus. Agradecemos por todo o tempo, amor, dedicação e pelas palavras que tanto nos edificaram ao longo destes 42 anos. Fica entre nós o exemplo de fé, simplicidade, e entrega ao chamado de Deus.

Poderíamos resumir este momento com o que Padre Zezinho canta: “no peito eu levo uma cruz e no coração aquilo que disse Jesus”. Que vocês possam a cada dia mostrar isso. No peito nós levamos a cruz, mas nos nossos corações, vamos guardar aquilo de bom que os freis ensinaram por aqui. E nós, como comunidade, vamos aos poucos nos organizando e dando continuidade aquilo que aqui foi plantado. Essa é a nossa missão. Dar continuidade ao belo trabalho que os freis iniciaram. E que eles continuem sendo instrumentos de paz e bem e levem em seus corações o povo de Rio Grande.

 

Palavras proferidas pela senhora Leonir Delfino Medeiros, da Comunidade São Miguel, em nome de toda Rede de Comunidades São Lucas. Rio Grande, 07/03/2026.



 
 
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