Os freis franciscanos e a Romaria da Terra no RS
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A Romaria da Terra no Rio Grande do Sul teve início no ano de 1978 para celebrar os 222 anos da morte de Sepé Tiaraju, e foi realizada no dia de Carnaval daquele ano em São Gabriel, por iniciativa da Comissão Pastoral da Terra – CPT/RS, sob a liderança do irmão Marista Antônio Cechin. A iniciativa reuniu dezenas de lideranças religiosas e indígenas durante três dias naquela localidade, dando início ao um movimento que continua até os dias de hoje, reunindo milhares de pessoas no dia de Carnaval de cada ano em algum lugar do RS, para celebrar a nossa Mãe Terra na linguagem de São Francisco de Assis ou a Pacha Mama, na linguagem guarani.
Os freis franciscanos no RS sempre tiveram presença marcante na organização, mobilização e realização das Romarias da Terra no RS, com destaque para Frei Sérgio Antônio Gorgen, OFM, que desde os tempos de estudante franciscano, já participava das primeiras romarias. Ao longo desses quase cinquenta anos muitos dos nossos confrades contribuíram de forma decisiva para a continuidade e a atualização deste que é um dos maiores eventos religiosos de nosso estado.
Neste ano de 2026, no dia 17/02, realizou-se a 48ª Romaria da Terra/RS no Santuário de Caaró, município de Caibaté, Diocese de Santo Ângelo, com o Tema: “400 Anos de Evangelização Missioneira: Terra Sem Males e Ecologia Integral” e o Lema: “Eu vi um novo céu e uma nova terra” Ap, 21,1. Frei Sérgio teve participação ativa e decisiva na escolha da temática e do lugar para a realização desta romaria, pois segundo ele, não era possível a celebração dos 400 anos das missões jesuítica/guarani sem rememorar a história e, especialmente o ambiente onde tais acontecimentos tiveram início.
Frei Sérgio também sugeriu que se integrasse à temática dos 400 anos da missão jesuítica/guarani, os 800 anos da morte de São Francisco de Assis, Patrono da Ecologia e da defesa da “Casa Comum”, na linguagem do Papa Francisco. A proposta foi aceita pela Comissão Organizadora e ele, com outros confrades da nossa Província e de freis Capuchinhos, estava organizando uma das Paradas durante e Caminhada da Romaria, para celebrar os 800 anos da páscoa de São Francisco de Assis. Eu usei a expressão “estava organizando...” para chamar a atenção, pois uns 15 dias antes da realização da Romaria, no dia 03 de fevereiro, frei Sérgio veio a óbito vítima de um infarto fulminante, na casa aonde morava no Assentamento Conquista da Fronteira em Hulha Negra, RS, após sentir-se mal e pedir ajuda aos confrades que com ele moravam, os quais prontamente o atenderam, sem nem uma chance de reanima-lo. E, em consequência, a 48ª Romaria da Terra, que era para celebrar dois jubileus, 400 anos das Missões jesuítica/guarani, no RS e 800 anos da morte de São Francisco de Assis, teve um novo tema a ser abordado e que ganhou grande destaque ao longo do dia, a celebração da vida e da militância de Frei Sérgio Goergen como líder religioso, militante das causas sociais e políticas no RS e no Brasil.
A Província São Francisco de Assis, dos freis franciscanos no RS fez um chamado especial para a participação dos confrades na romaria da Terra, relembrando da importância da presença dos freis na Parada que celebrava os 800 anos da morte de São Francisco de Assis. Sendo assim, mais de uma dezena de frades de nossa província, muitos usando o hábito franciscano, juntamente com freis Capuchinhos, irmãs franciscanas e de diversas outras congregações religiosas, bem como representantes de outras denominações religiosas e lideranças dos movimentos sociais e políticos deram um colorido especial àquele momento, carregado de fortes emoções.
Na Romaria foi sendo sempre destacado que Frei Sérgio dedicou sua vida para o cuidado da vida em todas a suas manifestações, em especial a vida dos mais frágeis e abandonados de nossa sociedade. Sempre incentivou a defesa do meio ambiente, das fontes de água e do reflorestamento, bem como para a recuperação, preservação e multiplicação das “Sementes Crioulas”. Destaque especial para um grande movimento que teve a iniciativa de Frei Sérgio, através do Instituto Cultural Padre Josimo, do Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA, da Cáritas Brasileira e de dezenas de outras entidades, que foi a “Missão Sementes de Solidariedade”, para levar conforto e uma pequena ajuda em mudas e sementes para as famílias de pequenos agricultores que foram atingidas pelas enchentes de 2023 e 2024 nos vales do Rio Taquari, Rio Pardo e Rio Jacuí. Toda essa trajetória acrescentou um novo slogan ao já tradicional grito para evocar a presença dos mártires da caminhada em nossas celebrações, após citar o nome do mártir a assembleia responde “presente”, e com o Frei Sérgio acrescentava-se, “semente”, Portanto, Frei Sérgio Presente, Frei Sérgio Semente!!!
Frei João Osmar D’Ávila, OFM





















