Paz e bem!

MISSÃO DE RORAIMA

A celebrar os 50 anos da Província São Francisco de Assis não poderíamos deixar de lembrar com carinho a nossa colaboração na missão franciscana assumida pela CFMB, na Diocese de Roraima. Desde o início desta missão, no ano de 1992 até nos dias atuais a província teve frades a disposição da Missão. Inicialmente foram frei Arthur Agostini e em seguida frei Teodardo Bochi. Frei Arthur veio a falecer em acidente de transito em janeiro de 2001, quando retornava de atividade junto aos indígenas reunidos em assembleia. Frei Teodardo permaneceu até final de 2007, quando em início de 2008 frei Armando Mariani passou a integrar a missão. Em 2009, frei Inácio Dellazari e eu, Frei Pedro Geremias Bruxel também integramos a mesma. Frei Inácio que já estava antes disso à serviço da Custódia São Benedito por cinco atuando na formação, permaneceu mais cinco anos e retornou em outubro de 2013. Alguns frades de profissão temporária também contribuíram na missão nestes anos: Frei Laerte Reis, que hoje persevera, Adriano Kirch e Élcio Bartsch, que em período de discernimento tomaram outro rumo vocacional.

Passados já quase 23 anos desta missão nas terras fronteiriças com a Guiana Ingleza e com a República Bolivariana da Venezuela, no estado mais ao norte do Brasil, podemos ouvir do povo das comunidades e de outros o reconhecimento pela contribuição dada pelos frades de nossa província em unidade com os demais irmãos frades da CFMB, tanto na vida eclesial quanto social, especialmente na organização e defesa dos povos indígenas e camponeses. Apesar da limitações pessoais e mesmo fraternas, foi franciscana a nossa atuação.

Cabe lembrar que o inicio da missão deu-se num período de intenso fluxo migratório para Roraima; num período de graves conflitos sociais e ideológicos em torno da defesa dos povos indígenas e da demarcação de seus territórios; num período de surgimento de diversos assentamentos e áreas de colonização; período do rápido crescimento das periferias urbanas da Capital Boa Vista. Considerando ainda a escassez de agentes religiosos e sacerdotes, os frades foram se integrando no contexto eclesial e responderam com ousadia aos desafios.

Frei Arthur Agostini que é homenageado com o nome em uma escola municipal, junto com irmãs e missionários da Consolata contribuíram muito na consolidação da organização e autonomia dos indígenas, especialmente da Rapoza Serra do Sol. Nas áreas de colonização e assentamento os frades ajudaram muito através da Comissão Pastoral da Terra na organização das associações e sindicatos, e da busca de alternativas para agricultura familiar.

A assistência religiosa no interior e na Capital foram intensas. Auxiliaram nas regiões de Bonfin, Normandia, Pacaraima e região do Trairão. As periferias de Boa Vista que eram cuidadas pelas Irmãs Missionárias da Consolata foram aos poucos passadas aos cuidados dos frades. Do empenho missionário dos frades e leigos das comunidades muitas novas comunidades se formaram. Uma opção diocesana de formar Áreas Missionárias se consolidou. A formação e preparação de leigos, catequistas, ministros, animadores favoreceu que os ministérios leigos nas comunidades emergissem. A atuação dos frades foi importante no despertar da sustentabilidade pela organização da pastoral do dizimo.

As áreas da periferia foram sendo divididas em áreas missionárias menores para melhor acompanhamento pastoral por novas congregações e presbíteros que chegaram. Atualmente acompanhamos especificamente a Diaconia Missionária, e contribuimos em diversos setores a nível diocesano: coordenação do Curso de Teologia para Leigos, Caritas, Pastoral hospitalar, Comissão Pastoral da Terra, administração diocesana, assistência em formação em áreas que solicitam ajudas esporádicas, e mais recentemente, começamos auxilio numa área missionária em formação na região do Felix Pinto (Município do Cantá) e parte do município de Caracaraí, junto com as irmãs Franciscanas Bernardinas.

Consideramos que mesmo com uma intensa atividade pastoral, nossa fraternidade tem também intensa vida de convívio e espiritualidade fraterna, sendo principalmente ai evangelizadora, não pelo falar ou por fazer, mas pelo modo de ser e viver. Pequenos gestos como o cuidado da vida doméstica e do cuidado do diversificado pomar e jardim são significativos gestos franciscanos.

Deus continue inspirando os frades e leigos para que com fecundo vigor evangélico continuem servindo nesta terra e com este povo tão diverso e querido de Roraima.