1. EXPERIÊNCIA DO ENVIO EM SÃO FRANCIS-CO

São Francisco, na sua experiência de vida, foi en-viado pelo Senhor. Ele escreve assim no Testamento: “Foi assim que o Senhor me concebeu a mim, Frei Francisco, iniciar uma vida de penitência: como esti-vesse em pecado, parecia-me deveras insuportável olhar para leprosos. E o Senhor mesmo me conduziu entre eles e eu tive misericórdia com eles” (Test 1-2). São Francisco fez a experiência de ser conduzido pe-lo Senhor. E o Senhor o conduziu entre os irmãos ex-cluídos de seu tempo.

Segundo 1 Cel 22, outro momento importante na vida de São Francisco foi o da escuta do Evangelho do envio dos discípulos. Depois de ouvir o Evangelho Francisco teria dito: “É isso que eu quero, isso que procuro, é isso que desejo fazer de todo coração”.

A partir da experiência do envio, São Francisco também enviou os irmãos. Segundo Tomás de Cela-no, quando eram apenas 8 irmãos, São Francisco já os enviou dois a dois pelo mundo (1 Cel 29). Nasce, assim, ao redor de São Francisco uma fraternidade missionária. A itinerância foi uma característica da fra-ternidade primitiva e continua sendo nos dias de hoje.

O missionário Franciscano anuncia o Evangelho num contato direto com crianças, jovens e adultos, procu-rando sentir as esperanças, as alegrias e tristezas do povo. Mergulhando na realidade da vida das pessoas anuncia o Evangelho como esperança, como Boa No-tícia.

 

“A exemplo de São Francisco, que o Senhor conduziu para o meio dos leprosos, todos e cada um dos irmãos façam opção pelos marginalizados, pelos pobres e oprimidos, pelos atribulados e doentes e, felizes por viver entre eles, façam misericórdia com eles”. (CCGG, art. 97).

2. EQUIPE FRANCISCANA DE MISSÕES POPULARES DO RS

Estamos colocando diante de vocês um pouco da história da Equipe Franciscana de Missões Populares do RS, para familiarizá-los ainda mais com este traba-lho desenvolvido através dos frades de nossa Pro-víncia.
Conforme os registros encontrados, temos os se-guintes dados: as Missões Populares Franciscanas foram pregadas, no Rio Grande do Sul, muitas vezes, pelos Freis da Província da Imaculada Conceição, os quais deixaram boas marcas e impressões. Também os freis da Província Santa Cruz pregaram missões no RS.

Os chamados precursores das Missões Francisca-nas da nossa Província foram os Freis Vito Mallmann, Lucas Corbellini, Celso Brancher, Ildefonso Wouters e João Brauner. Eles pregaram dezenas de Missões e com muito sucesso.

 

Finalmente, em janeiro de 1962, no Capitulo Provinci-al em Belo Horizonte, foi criada a Equipe Franciscana de Missões Populares do RS, após terem sidos supe-rados todos os obstáculos à sua criação. A criação desta equipe e deste trabalho constitui, sem dúvida, um marco importante para os Franciscanos no RS, por ter sido uma inspiração dos freis que trabalharam no nosso Estado.

Os primeiros missionários nomeados foram os Freis Anselmo Arenhardt e Celso Brancher. Também foi escolhido um coordenador e secretário das Mis-sões Populares, que foi o Frei Emílio Scheid. Em se-guida foi compilado um manual das Missões, basea-do na “Cartilha das Missões” dos Freis de Minas Ge-rais. Logo foi impresso 30 mil exemplares.

A primeira Paróquia que teve Missões com a equipe oficial do RS foi Pouso Novo, segundo os registros, foi de grande sucesso. A Missão aconteceu de 07 a 14 de abril de 1962, apenas na Igreja Matriz. O Páro-co na época era Frei Dagoberto que, conforme foi re-gistrado, foi um ótimo hospedeiro para os missioná-rios.

A partir dai começou-se um trabalho específico das Missões Populares, com a equipe formada por Freis que trabalhavam aqui no RS.

Desde 1962, até os dias de hoje, já fizeram parte ou auxiliaram na Equipe Franciscana de Missões Po-pulares, mais de 50 Freis. Também temos o auxílio de leigos e uma irmã. Desde 1991, a Equipe conta com o auxilio de Leigos. Já em 1998, se qualificou ainda mais, com o auxilio das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora Aparecida. Os leigos e as irmãs, cada um deles acompanha um Padre Missionário e, se for pre-ciso e a comunidade for pequena, até vão sozinhos e a celebração sacramental fica a cargo do Pároco. Ainda hoje a Equipe conta com o auxilio de leigos e 01 Irmã Franciscana.

A Equipe já pregou missões em Vários Estados do Brasil: Santa Catarina, Parana, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Roraima e em grande parte do Estado do Rio Grande do Sul.

3. MISSÕES FRANCISCANAS: UNIDOS EM CRISTO

“Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa-Nova a toda criatura!” (Mc 16,15). A partir da experiência do envio, São Francisco tam-bém enviou os irmãos em missão. Nasce, assim, ao redor de São Francisco uma fraternidade missionária. A exemplo de São Francisco, que o Senhor conduziu para o meio dos leprosos, todos e cada um dos irmãos façam opção pelos marginalizados, pelos pobres e oprimidos, pelos atribulados e doentes e, sintam-se felizes por viver entre eles. (CCGG, art. 97).

3.1 O QUE SÃO AS MISSÕES POPULARES FRANCIS-CANAS?

Missões é um tempo especial na vida de fé de uma comunida-de eclesial. Oportunidade singular de viver a vida e fazer sua conversão, ou seja, voltar novamente de todo coração para Je-sus Cristo e seu Evangelho. Tempo especial para deixar a graça de Deus agir na vida. “Este é o ano da graça do Senhor”. Onde Deus há de revelar sua salvação já realizada em Cristo. “Todos hão de ver a Salvação de nosso Deus”.

A Missão se caracteriza por: uma forte e intensa vivência comunitária, saindo da rotina, com reflexões e celebrações dinâmicas, com símbolos e encenações; é um mergulho na realidade de nosso tempo e no mundo criado por Deus, com inserção mais consciente, não meramente deixar-se levar; é a ocasião de expressão concreta da solidariedade, como Igreja Samaritana a exemplo de Jesus; é uma rica oportunidade de viver e atualizar princípios e conteúdos básicos da vida cristã e familiar como formação no seio comunitário.

3.2 OBJETIVO GERAL

Evangelizar e animar as comunidades cristãs, com renovado ardor missionário, anunciando e testemunhando Jesus Cristo e o Reino de Deus, em comunhão fraterna, a serviço da vida e da esperança, buscando a transformação e a libertação da pessoa humana, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, nas diferentes culturas, fiéis à Igreja, no Espírito de São Francisco e Santa Clara de Assis.

3.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

– Mobilizar, sensibilizar e animar as comunidades;
– Refletir, aprofundar e celebrar os temas propostos pela co-munidade;
– Estimular o protagonismo dos leigos na Igreja;
– Despertar vocações missionárias leigas, religiosas e sacerdo-tais;
– Acolher e envolver os excluídos e afastados da comunidade.

3.4 DIRETRIZES

– Posicionar-se com os pobres e excluídos;
– Trabalhar a partir da cultura da comunidade;
– Confrontar à Luz do Evangelho, tradição e documentos da Igreja os valores e contra-valores do mundo de hoje;
– Despertar o ardor missionário.

3.5 MOTIVAÇÕES

– Por uma mística própria do tempo de missão, realizar aquilo que os padres têm dificuldades de fazer, devido às muitas ocupações no dia-a-dia;
– Reanimação do povo na fé, na vida em comunhão fraterna, na solidariedade, no ensinamento;
– Ouvir as necessidades das pessoas, suas dores, alegrias e propostas de vida;
– Despertar interesse pelos serviços da Igreja para ajudar no andamento e revitalização das pastorais e evangeliza-ção;
– Acolhimento da dimensão missionária da Igreja, abrindo os olhos para realidades de outros espaços humanos e cristãos.

4. O JEITO DE CELEBRAR AS MISSÕES NAS CO-MUNIDADES

Desenvolvemos as missões em três etapas, sendo pré-missões, missões e pós-missões.

a) Na Pré-missão, o que se faz?

– Primeiro contato com os Padres e lideranças da Paróquia para expor os objetivos, metodologia, passos e nosso jeito de realiza-las;
– Visita a cada comunidade para o encaminhamento prático das missões com celebração da Eucaristia feita pelos mis-sionários em uma época a ser combinada;
– Organização de equipes de visitação às famílias;
– Reunião com todas as lideranças das comunidades para reforçar todo o trabalho de preparação e ver, em conjunto, alguns encaminhamentos práticos para as missões serem realizadas em cada comunidade da paróquia.
– Que as paróquias articulem, organizem os grupos de famí-lias ou de oração em vista da preparação das missões, atingindo todas as famílias através da novena e do convite às missões;
– Que, além da comunidade, a paróquia organize seu siste-ma de propaganda.

b) Missões

As missões são realizadas em cada comunidade-igreja durante cinco (5) dias ao menos; na comunidade vão de 1 a 3 missionários e missionárias; este critério varia de acordo com a população da comunidade. Portanto, fazemos mis-sões em 3 ou 4 ou 5 comunidades na mesma semana.
Iniciamos normalmente as missões nas sextas-feiras e concluímos nas quartas-feiras. Sexta-feira: à tarde ou à noite: temos a celebração de abertura que é encaminhada na pré-missão e nesta se organiza o programa da semana de missões na e para a comunidade.

c) Pós-missão

Nesta, normalmente, fazemos uma retomada da caminha-da missionária evangelizadora em cada comunidade. Per-manecemos durante um dia em cada comunidade-igreja, onde buscamos reanimar, rever, celebrar a caminhada da mesma. Sua preparação se dá através dos grupos de famí-lia ou oração anteriormente encaminhados.

5. QUESTÕES FINANCEIRAS

A pré-missão tem o custo de um salário mínimo para toda Paróquia. Na missão, solicitamos meio salário mínimo por comunidade mais as coletas realizadas em alguns dias du-rante a missão. A pós-missão não têm nenhum custo, apenas fazemos as coletas nas comunidades em prol da missão.

6. QUEM SOMOS

Uma equipe que tem missionado desde 1962, constituí-das por Freis Franciscanos da Província São Francisco de Assis, Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora Aparecida, Leigas e Leigos.

Seminário Nossa Senhora Medianeira
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CEP: 96540-000 – Agudo-RS
Tel.: (55)3265-1272 ou (55)99695-0820
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